Farelo de soja e digestibilidade em diferentes espécies de animais

Farelo de soja e digestibilidade em diferentes espécies de animais

O Farelo de Soja é amplamente reconhecido como um dos ingredientes mais importantes na formulação de rações para diferentes espécies animais. Derivado do processamento da soja, a originação deste produto se destaca por sua elevada concentração proteica e pela presença de aminoácidos essenciais.

A utilização do Farelo de Soja beneficia tanto pequenos criadores quanto grandes sistemas de produção industrial. Do ponto de vista econômico, o farelo de soja é um alicerce para a sustentabilidade das cadeias produtivas de carnes, laticínios e ovos, além de ser um componente estratégico para a indústria aquícola.

Aqui você vai conhecer mais sobre as características nutricionais do farelo de soja e sua digestibilidade em ruminantes, aves, equinos e peixes, enfatizando os benefícios e desafios do seu uso.

Características do Farelo de Soja
O Farelo de Soja é produzido através de um processo que se inicia com a limpeza e a moagem dos grãos de soja. Em seguida, os grãos passam pela extração do óleo, realizada geralmente por solvente, onde um composto como o hexano separa o óleo da fração sólida. Após essa etapa, o resíduo sólido passa por um processo de aquecimento, que além de reduzir os fatores antinutricionais, como inibidores de tripsina, também estabiliza o produto final.

O farelo resultante apresenta textura granular fina, cor variando entre bege e marrom claro, e um odor característico que contribui para sua aceitação pelos animais.
Sua composição química é um diferencial, contendo:

  • Proteína bruta: concentração entre 44% e 48%, dependendo do processo industrial e do teor de cascas (fonte de fibras). A Goemil preza pela qualidade em sua entrega e trabalha com índices de 46% ou superior.
  • Fibras: geralmente em torno de 6%, essenciais para o funcionamento intestinal de algumas espécies.
  • Lipídios residuais: cerca de 1%, com óleos ricos em ácidos graxos essenciais.
  • Fatores antinutricionais: como inibidores de tripsina e urease, que podem comprometer a digestão, mas são reduzidos durante o aquecimento no processamento.

Sua versatilidade permite o uso em diferentes fórmulas de ração, ajustando-se às demandas energéticas e proteicas de cada espécie.

Especificações Nutricionais

Proteínas e Aminoácidos Essenciais
O Farelo de Soja é rico em aminoácidos essenciais, como lisina, metionina e treonina, fundamentais para a síntese proteica e o crescimento dos animais. A lisina, por exemplo, é especialmente importante para monogástricos, como aves e suínos, devido à sua limitação em outros ingredientes vegetais. Além disso, o perfil proteico do farelo é altamente biodisponível, favorecendo o desempenho zootécnico.

Fibras e Digestibilidade
O farelo de soja possui fibras solúveis que podem melhorar a fermentação intestinal em ruminantes. Por outro lado, em monogástricos, o excesso de fibras pode comprometer a digestibilidade de outros nutrientes, exigindo balanceamento cuidadoso na formulação das rações.

Minerais
Rico em fósforo e potássio, o Farelo de Soja também contribui para o fornecimento de cálcio, magnésio e outros minerais traço. Entretanto, parte do fósforo está presente na forma de fitato, que reduz sua disponibilidade para monogástricos (aves e suínos). A adição de fitases na dieta é uma prática comum para aumentar a absorção deste mineral.

Fatores Antinutricionais
A urease, uma enzima presente naturalmente nos grãos de soja, precisa ser inativada durante o processamento térmico do farelo de soja. Essa inativação é essencial para evitar a formação de amônia no trato digestivo dos animais, o que poderia causar irritações e reduzir a eficiência digestiva.

Além disso, o processo de tostagem que desativa a urease também contribui para a neutralização de outros fatores antinutricionais, como inibidores de tripsina, lectinas e saponinas, tornando o farelo seguro e eficiente para o consumo animal. Essa redução é crucial para minimizar distúrbios gastrointestinais e garantir a máxima absorção de nutrientes pelos animais.

Digestibilidade em Diferentes Espécies de Animais
Ruminantes
Nos ruminantes, o farelo de soja é amplamente utilizado devido à sua alta degradabilidade no rúmen. Aproximadamente 70% da proteína é degradada em peptídeos e aminoácidos, sendo posteriormente utilizada pelas bactérias ruminais para síntese de proteína microbiana. O resíduo não degradado é eficientemente digerido no abomaso e intestino delgado, maximizando o aproveitamento proteico. Além disso, a fibra solúvel do Farelo de Soja auxilia na manutenção de um ambiente ruminal estável.

Aves
Para aves, o Farelo de Soja é o principal ingrediente proteico das rações, representando até 30% das formulações. Sua digestibilidade é elevada, com coeficientes acima de 85% para aminoácidos essenciais. A adição de enzimas, como fitase e protease, é frequentemente utilizada para melhorar ainda mais a eficiência alimentar, reduzindo o impacto dos fatores antinutricionais e otimizando o ganho de peso e a conversão alimentar.

Equinos
Em equinos, o Farelo de Soja é utilizado principalmente como complemento proteico em dietas baseadas em volumosos. Sua digestão ocorre predominantemente no intestino delgado, onde a proteína é rapidamente hidrolisada em aminoácidos livres. Devido ao baixo teor de fibras estruturais, seu uso deve ser moderado, evitando desequilíbrios que possam levar a cólicas ou desconforto intestinal.

Peixes
Na aquicultura, o Farelo de Soja é uma alternativa sustentável à farinha de peixe. Sua digestibilidade varia entre as espécies, sendo mais alta em peixes herbívoros e onívoros. Apesar do excelente perfil proteico, o farelo apresenta limitações devido ao fósforo fítico e à presença de fatores antinutricionais residuais, que podem comprometer a eficiência alimentar e a saúde intestinal. A inclusão de enzimas e tratamentos térmicos tem sido eficaz para contornar esses desafios.

Dados de Consumo no Mercado Nacional e Internacional
No mercado brasileiro, o Farelo de Soja é responsável por aproximadamente 60% do consumo de proteínas vegetais na nutrição animal, com um volume anual superior a 18 milhões de toneladas. O país é líder na produção e exportação do produto, com cerca de 15 milhões de toneladas destinadas ao mercado internacional em 2023, principalmente para a União Europeia, China e países asiáticos. Globalmente, o farelo de soja representa mais de 65% das fontes proteicas utilizadas em rações, com um mercado anual estimado em 250 milhões de toneladas. Este cenário reflete a crescente demanda por carnes, leite e ovos, consolidando o Farelo de Soja como um insumo estratégico na cadeia produtiva agropecuária.

Farelo de soja: alta qualidade proteica para nutrição animal
O Farelo de Soja se destaca como um ingrediente fundamental para a nutrição animal devido à sua alta qualidade proteica, perfil equilibrado de aminoácidos e ampla disponibilidade no mercado. Apesar de desafios relacionados a fatores antinutricionais, avanços tecnológicos no processamento e na adição de enzimas têm assegurado sua eficiência e segurança para diferentes espécies.

Seu uso contribui diretamente para a produtividade, viabilidade econômica e sustentabilidade das cadeias produtivas, reforçando seu papel estratégico na nutrição animal. Continuar investindo em estudos e tecnologias voltadas à otimização da digestibilidade do farelo de soja beneficiará tanto produtores quanto a indústria alimentícia global.

 

Escrito por Mateus Baldasso, Executivo de Vendas na Goemil, com especialização em International Business e mais de 17 anos de experiência no desenvolvimento de estratégias de negócios em diferentes mercados.