Quando um fenômeno climático aparece com 63% de probabilidade de atingir intensidade muito forte durante uma janela crítica de plantio, o mercado não espera para reagir. O El Niño confirmado para a safra 2026/27 já está no centro das análises de bancos, tradings e gestores do agronegócio – e entender o que ele realmente representa é o primeiro passo para tomar decisões de compra e planejamento sem se deixar guiar pelo ruído.
O que o El Niño faz com a soja brasileira
O efeito do El Niño sobre a agricultura brasileira não é uniforme. Historicamente, o fenômeno provoca menor volume de chuvas no Centro-Oeste e no Norte -justamente as regiões que concentram a maior expansão agrícola do país, como Mato Grosso e o Matopiba -enquanto aumenta as precipitações na Região Sul. A safra 2023/24 serve de referência concreta: naquele ciclo, o Mato Grosso registrou queda de 16% na produtividade da soja e o Matopiba recuou 11%, reduzindo a produção nacional de 162 milhões para 153 milhões de toneladas.
Por que o mercado global está de olho no Brasil
Brasil e Argentina respondem hoje por aproximadamente 65% das exportações mundiais de soja. Isso significa que um choque produtivo na América do Sul tem impacto imediato sobre os estoques e preços globais – e a margem de compensação está menor do que em ciclos anteriores. Simulações do Itaú BBA indicam que uma perda de apenas 6% na produção nacional seria suficiente para reduzir a relação estoque/consumo global de 28% para 25% – um nível que historicamente sensibiliza os preços a qualquer nova instabilidade.
Risco real ou alarme excessivo?
O BTG Pactual adota uma posição mais equilibrada: ao analisar as últimas 20 safras do Mato Grosso com sete episódios de El Niño registrados, o banco identificou que os impactos variaram significativamente entre os eventos. Em 2009/10, por exemplo, também marcado por um El Niño forte, a produtividade permaneceu praticamente estável. A conclusão é que não é possível assumir automaticamente uma quebra expressiva apenas com base na previsão climática -mas tampouco ignorar o risco.
O que existe, de fato, é incerteza. E incerteza em cadeias de suprimento exige planejamento antecipado.
O que isso significa para quem compra derivados de soja
Em cenários de maior volatilidade climática, a escolha do fornecedor passa a incluir um critério que vai além do preço: consistência e qualidade estável entre lotes, independentemente das variações de safra. A Goemil processa soja brasileira com controle rigoroso de origem e qualidade em cada etapa da produção – do grão ao produto final. Conheça nossa estrutura ou fale com um especialista para planejar seu abastecimento com previsibilidade, mesmo em períodos de pressão climática.